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Quando a pessoa fica apaixonada, seu organismo produz
grandes doses de dopamina, norepinefrina e feniletilamina. São anfetaminas
naturais que provocam euforia e podem causar dependência. O amor é
cientificamente explicável mesmo que haja incertezas no exercício de suas
reações químicas. Ele é flexível, mas às vezes pode ser intolerante. Para a sociedade
é só mais uma massa de modelar multiplamente manipulável. As pessoas sentem a
necessidade de criar padrões para selecionar as espécies. Quando a
contracultura disseminou o “faça você mesmo” todos pensavam ter atingido a
liberdade plena, no entanto os jovens vestiram a militância como uma roupa da
estação. Mais uma vez a mídia e seus veículos conseguiram explorar a indignação
dos rebeldes e subvertê-los a uma simulação do exercício completo da expressão,
dos sentimentos. Vieram os ídolos como espelhos convexos e côncavos e começaram
a refletir as massas da forma que melhor garantisse o giro de seu capital doente.
Quem pode afirmar que conhece a si mesmo? Que seu conhecimento sobre o amor não
fora batizado como uma ciência curricular transmutável conforme a religião ou a
cultura nacional. Quando se olha no espelho tem certeza de que é você ou
simplesmente o que fizeram de você enquanto pensava estar desperto? A beleza está em todas as formas esperando
ser entendida. Da mesma forma o amor não
é camuflado por sua própria substância, mas pela influência do espaço sobre a
nossa forma de enxergá-lo. As leis o endurecem e atrofiam como os pés de uma
gueixa até o Século XX. Leis religiosas, leis socioeconômicas e culturais, leis
comportamentais de limites e espaço e principalmente... A lei do orgulho e do
egoísmo que nos faz traduzir nossas atividades seculares e espaço no mundo como
algo que nos torna superiores aos outros.
Quando amamos perdemos muitas coisas, tralhas e bugigangas que entulham
o terreno de nossas almas (consciência). Nenhuma semente germina sem condições
favoráveis, em solo tóxico. No entanto quando permitimos ao outro anexar seu
espaço ao nosso há mais probabilidade de haver um terreno fértil para produzir
o alimento do coração. As pessoas rotulam de loucos os que fogem da regra
comum, sou mesmo um indivíduo estranho, o estranho por sua vez não se explica,
e eu não gosto mesmo de me encaixar em explicações, “outsider”. Não me aproprio
dos outros nem de seus sentimentos, gosto de apreciar sua natureza, de me
encaixar nela múltiplas vezes e depois recuar e deixá-las sentir sua liberdade.
Erro fatal é estrangular os sentimentos dos outros como um pescoço de galinha e
tomar seu sangue no molho, não me agrada ser um parasita. Quanto as reações
químicas, elas são fato, não existe uma plataforma e nem cadeias
comportamentais para que o amor surja. Ele não contamina como um vírus, ele
apenas se instala como uma histeria independente de convivência ou distância.
Independente de obstáculos quaisquer ou até mesmo de resistência. Ele produz
vida e dependendo do contexto em que se insere, a morte. É simplesmente o fluxo
incansável do éter que aspiramos desde que nascemos, mas que já estava aqui
antes de nós e continua após a nossa partida.
(C. Mary Wilde)

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